Brumadinho: Justiça libera acesso a dados sobre sinal de celulares para auxiliar na localização de desaparecidos

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Região de Brumadinho atingida pelo rompimento de barragem da Vale
Image captionJustiça concede liminar que permite que autoridades solicitem às operadoras dados dos sinais de celulares de quem estavam na área afetada pela tragédia no Córrego do Feijão

As equipes dedicadas ao resgate das vítimas do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho e à procura dos desaparecidos poderão contar com a ajuda dos dados sobre os sinais de celulares de quem estava na região no horário do acidente quando as buscas forem retomadas.

Na noite de ontem, a AGU (Advocacia Geral da União) obteve na Justiça Federal de Minas Gerais uma liminar que exige que as operadoras de telefonia móvel liberem informações sobre os aparelhos daqueles que estavam na área afetada pela tragédia no Córrego do Feijão sempre que solicitado pelas autoridades envolvidas com a operação de resgate e salvamento.

Através dos dados é possível saber também qual torre de comunicação recebeu o último sinal emitido por um celular que por ventura esteja agora inativo, diminuindo a área de busca o que facilitaria a localização dos aparelhos.

“O objetivo é auxiliar as equipes de busca a localizar as cerca de 350 pessoas desaparecidas após o ocorrido”, diz a AGU em comunicado.

Com as informações, as equipes de socorro poderiam saber, por exemplo, quais aparelhos se mantiveram ativos após a tragédia e quais estão inativos desde então.

A assessoria de imprensa do Corpo de Bombeiros afirmou que, até o momento, o recurso ainda não está sendo utilizado e que os profissionais responsáveis pela estratégia de resgate estão reunidos no quartel da Polícia Militar no Morro do Querosene para definir os próximos passos da operação de resgate.

Região de Brumadinho atingida pelo rompimento de barragem da Vale
Image captionBuscas foram interrompidas neste domingo diante de risco de rompimento de nova barragem

Na madrugada deste domingo, técnicos da mineradora Vale informaram que havia “risco iminente de rompimento” da barragem B6 e, por isso, o trabalho dos Bombeiros e da Defesa Civil no local foi interrompido.

A decisão da Justiça de Minas se estende aos clientes que estavam nas imediações da Mina de Córrego de Feijão entre a meia-noite de quinta-feira, dia 24 de janeiro, e o mesmo horário do dia 25, em um raio de 20 quilômetros.

Conforme o pedido da AGU, as operadoras Vivo, Tim, Claro, Oi, Nextel, Algar Telecom e Sercomtel devem entregar os dados diretamente aos envolvidos nas operações.

A agência informa que autorização judicial é necessária porque o sigilo das comunicações é protegido pela Constituição.

Ajuda externa

Neste domingo, chega a Minas Gerais uma equipe de 136 soldados do Exército israelense, especializada em operações de resgate em situações extremas, para auxiliar na busca por sobreviventes.

A informação, antecipada no sábado pelo presidente Jair Bolsonaro, foi confirmada pelo governo de Minas Gerais.

Na segunda-feira, a equipe fará um reconhecimento da área e iniciará em seguida os trabalhos. Além de especialistas em salvamento, a equipe israelense conta com cães farejadores e 16 toneladas de equipamentos, incluindo radares terrestres.