Foto de bombeiro abraçando homem que viralizou nas redes sociais é de 2011

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AISLAN HENRIQUE/DIVULGAÇÃO/CORPO DE BOMBEIROS

Machucado e sujo de lama, um homem sem camisa abraça apertado o bombeiro que o salvou.A imagem, creditada a Aislan Henrique, do próprio Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, viralizou nas redes sociais depois que a barragem da Vale rompeu em Brumadinho (MG), na sexta-feira. Ao menos 34 pessoas morreram e 299 estão desaparecidas após o rompimento, de acordo com o mesmo Corpo de Bombeiros.

Muita gente compartilhou a imagem em solidariedade às vítimas e em homenagem aos que prestam socorro na região atingida por um mar de lama.

Mas esse resgate da foto aconteceu 2011, quando um agricultor caiu em uma cisterna de 17 metros e foi salvo por um bombeiro militar de Patos de Minas.

Agricultor e bombeiro se reencontraram cinco anos depois do resgate, segundo o jornal Estado de Minas.

Local de trag[edia em Brumadinho

Ao menos 34 pessoas morreram após rompimento de barragens em Brumadinho

A imagem foi republicada no Twitter dos Bombeiros na quarta-feira, dois dias antes do desastre em Brumadinho. “Aquele abraço de gratidão que dispensa as palavras, enobrece nosso trabalho e nos faz pessoas melhores. Bombeiro Militar, o amigo certo nas horas incertas!”, dizia o post que acompanha a foto que havia sido recordada.

No Twitter oficial dos bombeiros, a imagem ganhou 359 curtidas e foi compartilhada 83 vezes. Mas, no dia do rompimento da barragem, a imagem apareceu na timeline do Twitter de políticos como o senador Álvaro Dias, do deputado Eduardo Bolsonaro e do ministro Marcos Pontes – este num retuíte do filho de Bolsonaro. O surfista Gabriel Medina, que tem sete milhões de seguidores no Instagram, foi um dos famosos que compartilharam a foto. A postagem teve mais de 144 mil curtidas.

Até onde a lama chegará?

O presidente da Vale disse que o impacto ambiental do acidente em Brumadinho será menor do que o de Mariana, quando uma avalanche de lama percorreu 633 km de cursos d’água, atingindo 39 municípios em dois Estados – o maior desastre ambiental da história do Brasil.

A lama do desastre em Brumadinho já chegou ao rio Paraopeba, que é um afluente do São Francisco. Este, por sua vez, é o rio mais importante da região Nordeste, responsável pelo abastecimento de dezenas de milhões de pessoas.

Para chegar ao São Francisco, a lama terá de atravessar outras barragens que não estão em sua capacidade máxima e que podem diluí-la, atenuando seus impactos na bacia.

O alcance da lama também poderá ser influenciado pelo clima: caso chova forte nos próximos dias, o volume da lama despejada nos rios poderá aumentar.

Região afetada por rompimento de barragem em Brumadinho (MG)
Image captionRompimento de barragem em Brumadinho deixou centenas de desaparecidos

Como ocorreu em Brumadinho?

Os rejeitos liberados pelo rompimento de uma barragem no município de Brumadinho, que faz parte da região metropolitana de Belo Horizonte (MG), atingiram residências e a área administrativa da empresa no local, conhecido como Mina Córrego do Feijão. Ao menos 299 pessoas estão desaparecidas, segundo o Corpo de Bombeiros.

A mineradora Vale, dona da barragem, afirmou que havia funcionários da empresa no refeitório no momento do rompimento. A distância entre a sede da mineradora e a barragem que se rompeu é de cerca de 1,6 km.

À BBC News Brasil o secretário-adjunto de Saúde da cidade, Geraldo Rodrigues do Carmo, disse que a chamada Vila Ferteco, também atingida, abriga casas e sítios, mas não é muito populosa. A região foi evacuada.

O rompimento em Brumadinho ocorre três anos depois que outra barragem da Vale na região de Mariana, se rompeu. Morreram 19 pessoas e três distritos – Bento Rodrigues, Paracatu de Baixo e Gesteira – ficaram destruídos. Administrada pela Samarco, subsidiária da Vale, a barragem de Fundão liberou 34 milhões de metros cúbicos de rejeito de minério, que desceram 55 km pelo rio Gualaxo do Norte até o Rio do Carmo e outros 22 até o Rio Doce.

A avalanche de lama percorreu 663 km de cursos d’água e atingiu 39 municípios em Minas Gerais e no Espírito Santo – o maior desastre ambiental do país.